“A verdade é para quem a procura sinceramente, não para quem tem apenas curiosidade ociosa. É fácil acreditar quando se vê: dispensa a busca e o esforço. Descobrem a verdade além dos sentidos os que a merecem por terem vencido o seu natural ceticismo materialista.”
Mahavatar Babají

terça-feira, 19 de junho de 2012

Amar é viver, reconhecer e caminhar


Somos a própria vida
A fonte de poder
Recomeçando cada partida
Vivendo pra morrer e renascer

Numa incrível jornada
Viajei o espaço...
Que longa caminhada
Só pra hoje caber no teu abraço

Burlei preconceitos, ignorei preceitos.
Mergulhei na fonte límpida, oferecida.
Desnudei a alma, libertei sentimentos.
Imergi as dores impostas pela vida

Vi que com o amor não existe fronteiras
Somos livres pra voar
Ultrapassamos inúmeras barreiras
E é só pra “casa” que queremos voltar

Te descobri além do físico
Da emoção todos os limites transpondo
Pisando ainda oscilante, em solo desconhecido
Deixando fluir, me desarmando, me expondo.

Coloridas frases da memória
A primavera é cópia desta forma
Sem medo reedito contigo minha história
E vejo a graça com que tudo se transforma

Como diz Fernando Pessoa...
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência, não pensar...

Com passos serenos tu persiste
No teu reflexo eu vejo a alma mais bela
A plenitude és tu, em que consiste
A beleza verdadeira tu releva

Que Deus nos dê o dom
de continuarmos persistindo e lutando
Enxergando só o lado bom
E todos os seres amando

Pois o amor é a nossa missão
Devemos então esse perfume espalhar
Gratidão, Gratidão, Gratidão
A força divina nos faz caminhar

(Luana Isse de Freitas)

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Sintonia e Vibração

Tudo no universo opera através de vibração. Nosso corpo é constituído de átomos, que são cercados por elétrons que giram em velocidades tão grandes que os cientistas não conseguem saber ONDE o elétron está em determinado momento. Imagine bilhões de átomos cercados de elétrons dentro do seu corpo e você vai ter uma idéia do que estou falando. Estamos em movimento constante. Mas a vida reserva bem mais surpresas, se formos mais fundo nas pesquisas. O átomo deixou de ser a menor partícula há muito tempo. Não sei a seqüência correta, mas sei que pararam quando descobriram o táquion. Ele tem uma propriedade interessante: existe e não existe. Uma hora ele está lá, na outra não está. Segundo alguns cálculos, descobriu-se que essa partícula pode viajar no tempo. Estar no futuro e no passado. Ou seja, é muito viajado. O interessante é que você tem que procurar bem fundo na estrutura da matéria pra ir encontrando essas partículas, o que nos leva a seguinte conclusão: proporcionalmente há mais vazio dentro de você do que há na sala/quarto em que você está.

Voltando ao assunto vibração, o que nos diferencia de uma pedra é, grosso modo (e materialmente falando), a vibração. A estrutura das pedras têm um padrão vibratório mais baixo, portanto, mais denso. Uma historinha interessante pra ilustrar este caso:

Uma aluna de Einstein estava passando pelo pátio da Universidade de Princeton e viu seu mestre parado em frente ao chafariz, balançando a mão rapidamente na frente dos seus olhos. Curiosa, ela foi lá perguntar a Einstein o que ele estava fazendo. Ele apontou para o jorro d'água que caía do chafariz, depois mandou ela fazer a mesma coisa que ele. Ao passar a mão rapidamente na frente dos olhos, a pessoa "quebra" o efeito de permanência da vista, que é um "defeito" dos olhos, responsável pela movimentação fluida com que vemos as coisas (e que nos faz imaginar o movimento perfeito numa seqüência de apenas 24 cenas por segundo). O resultado é que ela conseguia distinguir os pingos d'água caindo, em câmera lenta, em vez do jorro constante.

Onde eu quero chegar com tudo isso? Vibração. Nós vivemos numa grande e tola ilusão sensorial, que os Hindus chamam de Maya. Tudo o que somos, tudo o que temos, não passa de um agregado de matéria em estado bruto, réplicas mal-feitas de uma realidade cada vez mais sutil. Sócrates também chegou a essa conclusão com o seu mundo das idéias, em que existe a "idéia cavalo" antes mesmo de existir o cavalo em sua cópia grosseira. Sabiamente, os Hindus dizem que o véu de Maya é como uma teia de aranha: esconde, mas também mostra. Se souberem como olhar, claro. Se você mudar o foco para o que tem ATRÁS da teia da aranha, vai perceber mais detalhes de um novo mundo.

Para isso, você tem que elevar sua vibração. Como se consegue isso? Mais uma vez vamos consultar os ensinamentos budistas: É preciso trilhar o caminho do meio. Evitar os extremos da vida, o prazer desmedido ou o sofrimento inútil. Compaixão irrestrita é a meta de todo budista. Não somente pelos seres humanos, mas por todos os seres vivos. A sabedoria é a outra grande meta. O dr. Georges da Silva diz: "sem sabedoria somos tolos de bom coração, sem compaixão somos intelectuais frios e insensíveis". Para alcançar a iluminação é preciso unir as duas coisas. Esse é o objetivo da conduta ética. Buda dividiu em oito ramos o caminho para a iluminação:

1. Visão correta. Não cobiçar, e nada desejar.

2. Ação correta. Não matar, não roubar, não usar de violência e ser sábio em relação à sexualidade;

3. Vida correta. Nada disso adianta se no seu trabalho você prejudica os outros, sejam esses outros pessoas, animais ou a própria natureza.

4. Esforço correto é exercitar a autodisciplina para evitar pensamentos maus ou nocivos e desenvolver estados mentais positivos e saudáveis; É aplicar sua energia em coisas produtivas e benéficas.

5. Atenção correta. "O budismo é uma religião do aqui e do agora", avalia Arthur Shaker, da Casa de Dharma. Precisamos aprender a desligar o piloto automático e prestar atenção a todas as nossas ações, nossas palavras, nossos pensamentos.

6. Concentração correta. "Qualquer religião ou prática sem concentração torna-se frágil", avalia o dr. Georges da Silva "e, na oração, as palavras tornam-se inúteis". Nossa mente está sempre dispersa, mas quando conseguimos concentrá-la em um único objetivo ela se torna poderosa, ensina ele. Em todas as tradições do budismo, a meditação ocupa um lugar fundamental. É através dela que se alcança o desenvolvimento mental e a visão interior.

7. O pensamento correto, que surge quando você desenvolve as qualidades do desapego, da compaixão e da não-violência.

8. Compreensão correta, que quer dizer compreender não com o intelecto, mas com a visão interior ou intuição. "Todas as coisas são precedidas pela mente, guiadas pela mente e criadas pela mente. Tudo o que somos hoje é resultado do que temos pensado. O que pensamos hoje é o que seremos amanhã; nossa vida é criação de nossa mente. Se um homem fala ou age com uma mente impura, o sofrimento o acompanha tão de perto como a roda que segue a pata do boi que puxa a carroça", diz Carlos Lessa, citando o Dhammapada, uma escritura budista.

Enfim, ser correto. Mas quem vai julgar-nos em nossas ações? O pior de todos os Juízes: Seu pensamento. Todos nós temos uma partícula Divina que se manifesta indicando o caminho correto, mas SÓ quando realmente solicitamos.



Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á
(Mateus 7:7)



É o tal "Grilo falante", que fica atormentando seu juízo quando você faz algo que não devia. Dê total atenção e ele e ele irá se manifestar cada vez mais. Todos nós temos um guia espiritual, um amigo, que nos ajuda nesta jornada. Ele não se mete na sua vida, a menos que você peça. E, antes que você tente usá-lo para algo ilícito, esqueça! Ele é bastante ético. Pense nele como um cavaleiro Jedi. Não é qualquer um que pode ser guia, não! Só não confunda seu guia com obsessores. Se sua mente mandar fazer algo moralmente não aceito por você, ignore-o (ou ignore-se).

O Código de vivência dos monges Budistas estipula:

1. Eu me comprometo a não matar.
2. Eu me comprometo a não tomar nada que não seja dado voluntariamente por outrem.
3. Eu me comprometo a não me entregar aos prazeres proibidos.
4. Eu me comprometo a não dizer nada de falso e a não dizer a verdade em ocasiões inoportunas.
5. Eu me comprometo a não me intoxicar com bebidas ou entorpecentes.

Se quiser uma segunda opinião quanto ao caminho correto, podemos ir para o Cristianismo, que nos diz a mesma coisa, de uma forma ainda mais simples:



Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.
(Mateus 22)



Sugiro que leiam o Sermão da Montanha (Mateus 5:1 em diante) como se lessem um conselho de um pai. Mahatma Gandhi, que diversas vezes evitou ver sua doutrina agregada ao Cristianismo, disse certa vez: "Se houver uma catástrofe que aniquile toda a sabedoria do mundo, seja escrita ou oral, mas tiver sobrado somente o Sermão da Montanha, NADA terá sido perdido".

Uma vez que você esteja vibrando num padrão maior, muitas mudanças acontecerão na sua vida. Todos nós estamos imersos em energia. E essa energia existe de vários tipos, modulável através da vibração. Você está imerso num determinado padrão compatível com a sua própria vibração, comandada por sua mente. Por afinidade, você procura pessoas "iguais" a você, não na aparência, mas no pensamento (diga-me com quem andas e te direi quem és) e é muito difícil dar um salto de vibração, pois você está ligado a essas pessoas como que por magnetismo (É o mesmo princípio da coesão dos átomos). Se você sai, vai deixar um "buraco" na malha daquela turma (alguns chamam de egrégora) e obviamente eles, inconscientemente, vão oferecer resistência. É por isso que, infelizmente, a pessoa muda de turma, de vida, de amigos, ao mudar sua forma de pensar. Mas algumas vezes acontece o processo inverso: Você acaba arrastando alguns dos seus amigos mais próximos, involuntariamente, para esse novo padrão vibratório. Isso porque suas AÇÕES irão refletir na mente deles, que passarão a se questionar e, com a ajuda dos grilos falantes deles, irão repensar os valores das suas vidas, queiram eles ou não. Note que eu frisei ações, pois a ação é tudo (pensamento também é ação, pois bota energia em movimento). Não adianta nada ficar teorizando, recitando mantras pra elevar a vibração do corpo, e depois sair pensando e fazendo besteira por aí.




Você e seus amigos/familiares, etc, unidos na mesma malha de pensamento. Os de amarelo são os mais próximos de você.

Numa subida de freqüência, a tendência é você deformar a malha para cima. Note como não deforma uniformemente, pois cada pessoa que você conhece vai ter maior ou menor afinidade com esse novo padrão energético. Elas subirão sem se darem conta, através do seu exemplo. Muitas outras ficarão para baixo, por incompatibilidade. O inverso também ocorre. Se você descer, muitos podem acompanhá-lo. Portanto cuidado com suas ações, e muito mais cuidado com suas amizades.


É por isso que esta frase de Jesus é muito pouco compreendida:



E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, por amor de meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna.
(Mateus 19:29)



Se vocês querem atingir o nível de Jesus, é óbvio que terão que renunciar a um padrão mundano de vibração no qual nos encontramos, e isso inclui, infelizmente, nossos parentes e amigos. MAS isso não significa que devamos deixá-los ao léu. Ensine-os o caminho, mostre que o caminho funciona através das SUAS ações e eles lhe seguirão, se estiverem preparados. Mas não fique estacionado por causa deles. Adianto que é um caminho árduo e demorado. A pessoa passa por louca, eventualmente perde as pessoas que mais ama, nota mais claramente o quão distante está do nível de Jesus e por isso fica frustrado. Mas, pelo menos, se sabe o que vai ter no final do caminho. Jesus, Gandhi, Krishna, Madre Teresa, Chico Xavier e muitos outros estiveram na Terra pra mostrar o modelo de perfeição, e todos eles foram muito maltratados pela vida. Mais um aviso de que a coisa aqui na Terra não é fácil.



É por espinhos e não por fantásticos caminhos que os homens chegarão aos pés de Deus
(Irmão Bernardo)



É assim que funciona a evolução do mundo. Lenta e gradualmente, com o esforço de todos nós. Acredite em você. A Bíblia e o Budismo também concordam num ponto: Tens todo o potencial do mundo.



Eu disse: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo
(Salmo 82:6)
Maravilha das maravilhas! Essencialmente todos os seres vivos são Budas (iluminados, despertos), dotados de sabedoria e virtude, mas como a mente humana se inverteu através do pensamento ilusório, não o conseguem perceber.
(Buda, no momento da Iluminação)
Ou, como diria Sakura: "Liberte-seeeeeeeeeee!!!!!"



Antes que comecem: Não,eu não sou um pseudomestre, nem um quase-Jesus, um iluminado (apesar do nome). Apenas fui homem o suficiente pra dar o primeiro passo em direção a eles. E tudo o que eu colhi aqui na Terra foi incompreensão, ingratidão e inveja. Óbvio, pois que a Terra não é um playground. Não estou aqui para ser coberto de glórias, nada aqui me interessa, pois nada daqui é permanente. Gostaria MUITO que meus parentes e amigos pudessem me acompanhar, pois o que mais me dói é ver as pessoas afundando a olhos vistos e não poder ajudar, por ser falível e correr o risco de afundar junto com eles, como quase aconteceu. Repassar o que eu sei é a minha maneira de ajudar, no momento.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Ego, o falso centro

"O primeiro ponto a ser compreendido é o ego.

Uma criança nasce sem qualquer conhecimento, sem qualquer consciência de seu próprio eu. E quando uma criança nasce, a primeira coisa da qual ela se torna consciente não é ela mesma; a primeira coisa da qual ela se torna consciente é o outro. Isso é natural, porque os olhos se abrem para fora, as mãos tocam os outros, os ouvidos escutam os outros, a língua saboreia a comida e o nariz cheira o exterior. Todos esses sentidos abrem-se para fora. O nascimento é isso.

Nascimento significa vir a esse mundo: o mundo exterior. Assim, quando uma criança nasce, ela nasce nesse mundo. Ela abre os olhos e vê os outros. O outro significa o tu.

Ela primeiro se torna consciente da mãe. Então, pouco a pouco, ela se torna consciente de seu próprio corpo. Esse também é o 'outro', também pertence ao mundo. Ela está com fome e passa a sentir o corpo; quando sua necessidade é satisfeita, ela esquece o corpo. É dessa maneira que a criança cresce.

Primeiro ela se torna consciente do você, do tu, do outro, e então, pouco a pouco, contrastando com você, com tu, ela se torna consciente de si mesma.

Essa consciência é uma consciência refletida. Ela não está consciente de quem ela é. Ela está simplesmente consciente da mãe e do que ela pensa a seu respeito. Se a mãe sorri, se a mãe aprecia a criança, se diz 'você é bonita', se ela a abraça e a beija, a criança sente-se bem a respeito de si mesma. Assim, um ego começa a nascer.

Através da apreciação, do amor, do cuidado, ela sente que é ela boa, ela sente que tem valor, ela sente que tem importância. Um centro está nascendo. Mas esse centro é um centro refletido. Ele não é o ser verdadeiro. A criança não sabe quem ela é; ela simplesmente sabe o que os outros pensa a seu respeito.

E esse é o ego: o reflexo, aquilo que os outros pensam. Se ninguém pensa que ela tem alguma utilidade, se ninguém a aprecia, se ninguém lhe sorri, então, também, um ego nasce - um ego doente, triste, rejeitado, como uma ferida, sentindo-se inferior, sem valor. Isso também é ego. Isso também é um reflexo.

Primeiro a mãe. A mãe, no início, significa o mundo. Depois os outros se juntarão à mãe, e o mundo irá crescendo. E quanto mais o mundo cresce, mais complexo o ego se torna, porque muitas opiniões dos outros são refletidas.

O ego é um fenômeno cumulativo, um subproduto do viver com os outros. Se uma criança vive totalmente sozinha, ela nunca chegará a desenvolver um ego. Mas isso não vai ajudar. Ela permanecerá como um animal. Isso não significa que ela virá a conhecer o seu verdadeiro eu, não.
Gente, esse texto é meio cumpridinho, mas digo de todo meu coração que vale a pena ler até o FIM!
O verdadeiro só pode ser conhecido através do falso, portanto, o ego é uma necessidade. Temos que passar por ele. Ele é uma disciplina. O verdadeiro só pode ser conhecido através da ilusão. Você não pode conhecer a verdade diretamente. Primeiro você tem que conhecer aquilo que não é verdadeiro. Primeiro você tem que encontrar o falso. Através desse encontro, você se torna capaz de conhecer a verdade. Se você conhece o falso como falso, a verdade nascerá em você.

O ego é uma necessidade; é uma necessidade social, é um subproduto social. A sociedade significa tudo o que está ao seu redor, não você, mas tudo aquilo que o rodeia. Tudo, menos você, é a sociedade. E todos refletem. Você irá à escola e o professor refletirá quem você é. Você fará amizade com as outras crianças e elas refletirão quem você é. Pouco a pouco, todos estarão adicionando algo ao seu ego, e todos estarão tentando modificá-lo, de modo que você não se torne um problema para a sociedade.

Eles não estão interessados em você. Eles estão interessados na sociedade. A sociedade está interessada nela mesma, e é assim que deveria ser. Eles não estão interessados no fato de que você deveria se tornar um conhecedor de si mesmo. Interessa-lhes que você se torne uma peça eficiente no mecanismo da sociedade. Você deveria ajustar-se ao padrão.

Assim, estão interessados em dar-lhe um ego que se ajuste à sociedade. Ensinam-lhe a moralidade. Moralidade significa dar-lhe um ego que se ajuste à sociedade. Se você for imoral, você será sempre um desajustado em um lugar ou outro...

Moralidade significa simplesmente que você deve se ajustar à sociedade. Se a sociedade estiver em guerra, a moralidade muda. Se a sociedade estiver em paz, existe uma moralidade diferente. A moralidade é uma política social. É diplomacia. E toda criança deve ser educada de tal forma que ela se ajuste à sociedade; e isso é tudo, porque a sociedade está interessada em membros eficientes. A sociedade não está interessada no fato de que você deveria chegar ao auto-conhecimento.

A sociedade cria um ego porque o ego pode ser controlado e manipulado. O eu nunca pode ser controlado e manipulado. Nunca se ouviu dizer que a sociedade estivesse controlando o eu - não é possível.

E a criança necessita de um centro; a criança está absolutamente inconsciente de seu próprio centro. A sociedade lhe dá um centro e a criança pouco a pouco fica convencida de que esse é o seu centro, o ego dado pela sociedade.

Uma criança volta para casa. Se ela foi o primeiro lugar de sua sala, a família inteira fica feliz. Você a abraça e beija; você a coloca sobre os ombros e começa a dançar e diz 'que linda criança! você é um motivo de orgulho para nós.' Você está dando um ego para ela, um ego sutil. E se a criança chega em casa abatida, fracassada, foi um fiasco na sala - ela não passou de ano ou tirou o último lugar, então ninguém a aprecia e a criança se sente rejeitada. Ela tentará com mais afinco na próxima vez, porque o centro se sente abalado.

O ego está sempre abalado, sempre à procura de alimento, de alguém que o aprecie. E é por isso que você está continuamente pedindo atenção.

Você obtém dos outros a idéia de quem você é. Não é uma experiência direta.

É dos outros que você obtém a idéia de quem você é. Eles modelam o seu centro. Mas esse centro é falso, enquanto que o centro verdadeiro está dentro de você. O centro verdadeiro não é da conta de ninguém. Ninguém o modela. Você vem com ele. Você nasce com ele.

Assim, você tem dois centros. Um centro com o qual você vem, que lhe é dado pela própria existência. Esse é o eu. E o outro centro, que é criado pela sociedade - o ego. Esse é algo falso - é um grande truque. Através do ego a sociedade está controlando você. Você tem que se comportar de uma certa maneira, porque somente assim a sociedade irá apreciá-lo. Você tem que caminhar de uma certa maneira; você tem que rir de uma certa maneira; você tem que seguir determinadas condutas, uma moralidade, um código. Somente assim a sociedade o apreciará, e se ela não o fizer, o seu ego ficará abalado. E quando o ego fica abalado, você já não sabe onde está, você já não sabe quem você é.

Os outros deram-lhe a idéia. E essa idéia é o ego. Tente entendê-lo o mais profundamente possível, porque ele tem que ser jogado fora. E a não ser que você o jogue fora, nunca será capaz de alcançar o eu. Por estar viciado no falso centro, você não pode se mover, e você não pode olhar para o eu. E lembre-se: vai haver um período intermediário, um intervalo, quando o ego estará se despedaçando, quando você não saberá quem você é, quando você não saberá para onde está indo; quando todos os limites se dissolverão. Você estará simplesmente confuso, um caos.

Devido a esse caos, você tem medo de perder o ego. Mas tem que ser assim. Temos que passar através do caos antes de atingir o centro verdadeiro. E se você for ousado, o período será curto. Se você for medroso e novamente cair no ego, e novamente começar a ajeitá-lo, então, o período pode ser muito, muito longo; muitas vidas podem ser desperdiçadas...

Até mesmo o fato de ser infeliz lhe dá a sensação de "eu sou". Afastando-se do que é conhecido, o medo toma conta; você começa sentir medo da escuridão e do caos - porque a sociedade conseguiu clarear uma pequena parte de seu ser... É o mesmo que penetrar numa floresta. Você faz uma pequena clareira, você limpa um pedaço de terra, você faz um cercado, você faz uma pequena cabana; você faz um pequeno jardim, um gramado, e você sente-se bem. Além de sua cerca - a floresta, a selva. Mas aqui dentro tudo está bem: você planejou tudo.

Foi assim que aconteceu. A sociedade abriu uma pequena clareira em sua consciência. Ela limpou apenas uma pequena parte completamente, e cercou-a. Tudo está bem ali. Todas as suas universidades estão fazendo isso. Toda a cultura e todo o condicionamento visam apenas limpar uma parte, para que ali você possa se sentir em casa.

E então você passa a sentir medo. Além da cerca existe perigo.

Além da cerca você é, tal como você é dentro da cerca - e sua mente consciente é apenas uma parte, um décimo de todo o seu ser. Nove décimos estão aguardando no escuro. E dentro desses nove décimos, em algum lugar, o seu centro verdadeiro está oculto.

Precisamos ser ousados, corajosos. Precisamos dar um passo para o desconhecido.

Por um certo tempo, todos os limite ficarão perdidos. Por um certo tempo, você vai se sentir atordoado. Por um certo tempo, você vai se sentir muito amedrontado e abalado, como se tivesse havido um terremoto.

Mas se você for corajoso e não voltar para trás, se você não voltar a cair no ego, mas for sempre em frente, existe um centro oculto dentro de você, um centro que você tem carregado por muitas vidas. Esse centro é a sua alma, o eu.

Uma vez que você se aproxime dele, tudo muda, tudo volta a se assentar novamente. Mas agora esse assentamento não é feito pela sociedade. Agora, tudo se torna um cosmos e não um caos, nasce uma nova ordem. Mas essa não é a ordem da sociedade - essa é a própria ordem da existência.

É o que Buda chama de Dhamma, Lao Tzu chama de Tao, Heráclito chama de Logos. Não é feita pelo homem. É a própria ordem da existência. Então, de repente tudo volta a ficar belo, e pela primeira vez, realmente belo, porque as coisas feitas pelo homem não podem ser belas. No máximo você pode esconder a feiúra delas, isso é tudo. Você pode enfeitá-las, mas elas nunca podem ser belas...

O ego tem uma certa qualidade: a de que ele está morto. Ele é de plástico. E é muito fácil obtê-lo, porque os outros o dão a você. Você não precisa procurar por ele; a busca não é necessária. Por isso, a menos que você se torne um buscador à procura do desconhecido, você ainda não terá se tornado um indivíduo. Você é simplesmente mais um na multidão. Você é apenas uma turba. Se você não tem um centro autêntico, como pode ser um indivíduo?

O ego não é individual. O ego é um fenômeno social - ele é a sociedade, não é você. Mas ele lhe dá um papel na sociedade, uma posição na sociedade. E se você ficar satisfeito com ele, você perderá toda a oportunidade de encontrar o eu. E por isso você é tão infeliz. Como você pode ser feliz com uma vida de plástico? Como você pode estar em êxtase ser bem-aventurado com uma vida falsa? E esse ego cria muitos tormentos. O ego é o inferno. Sempre que você estiver sofrendo, tente simplesmente observar e analisar, e você descobrirá que, em algum lugar, o ego é a causa do sofrimento. E o ego segue encontrando motivos para sofrer...

E assim as pessoas se tornam dependentes, umas das outras. É uma profunda escravidão. O ego tem que ser um escravo. Ele depende dos outros. E somente uma pessoa que não tenha ego é, pela primeira vez, um mestre; ele deixa de ser um escravo.

Tente entender isso. E comece a procurar o ego - não nos outros, isso não é da sua conta, mas em você. Toda vez que se sentir infeliz, imediatamente feche os olhos e tente descobrir de onde a infelicidade está vindo, e você sempre descobrirá que o falso centro entrou em choque com alguém.

Você esperava algo e isso não aconteceu. Você espera algo e justamente o contrário aconteceu - seu ego fica estremecido, você fica infeliz. Simplesmente olhe, sempre que estiver infeliz, tente descobrir a razão.

As causas não estão fora de você.

A causa básica está dentro de você - mas você sempre olha para fora, você sempre pergunta: 'Quem está me tornando infeliz?' 'Quem está causando a minha raiva?' 'Quem está causando a minha angústia?'

Se você olhar para fora, você não perceberá. Simplesmente feche os olhos e sempre olhe para dentro. A origem de toda a infelicidade, da raiva e da angústia, está oculta dentro de você, é o seu ego.

E se você encontrar a origem, será fácil ir além dela. Se você puder ver que é o seu próprio ego que lhe causa problemas, você vai preferir abandoná-lo - porque ninguém é capaz de carregar a origem da infelicidade, uma vez que a tenha entendido.

Mas lembre-se, não há necessidade de abandonar o ego. Você não o pode abandonar. E se você tentar abandoná-lo, simplesmente estará conseguindo um outro ego mais sutil, que diz: 'tornei-me humilde'...

Todo o caminho em direção ao divino, ao supremo, tem que passar através desse território do ego. O falso tem que ser entendido como falso. A origem da miséria tem que ser entendida como a origem da miséria - então ela simplesmente desaparece. Quando você sabe que ele é o veneno, ele desaparece. Quando você sabe que ele é o fogo, ele desaparece. Quando você sabe que esse é o inferno, ele desaparece.

E então você nunca diz: 'eu abandonei o ego'. Você simplesmente irá rir de toda essa história, dessa piada, pois você era o criador de toda essa infelicidade...

É difícil ver o próprio ego. É muito fácil ver o ego nos outros. Mas esse não é o ponto, você não os pode ajudar.

Tente ver o seu próprio ego. Simplesmente o observe.

Não tenha pressa em abandoná-lo, simplesmente o observe. Quanto mais você observa, mais capaz você se torna. De repente, um dia, você simplesmente percebe que ele desapareceu. E quando ele desaparece por si mesmo, somente então ele realmente desaparece. Porque não existe outra maneira. Você não pode abandoná-lo antes do tempo. Ele cai exatamente como uma folha seca.

Quando você tiver amadurecido através da compreensão, da consciência, e tiver sentido com totalidade que o ego é a causa de toda a sua infelicidade, um dia você simplesmente vê a folha seca caindo... e então o verdadeiro centro surge.

E esse centro verdadeiro é a alma, o eu, o deus, a verdade, ou como quiser chamá-lo. Você pode lhe dar qualquer nome, aquele que preferir."

OSHO, Além das Fronteiras da Mente.