“A verdade é para quem a procura sinceramente, não para quem tem apenas curiosidade ociosa. É fácil acreditar quando se vê: dispensa a busca e o esforço. Descobrem a verdade além dos sentidos os que a merecem por terem vencido o seu natural ceticismo materialista.”
Mahavatar Babají

terça-feira, 24 de novembro de 2015

O ego no caminho espiritual

Um dos livros maravilhosos que chegaram até mim através da escola Universo Místico foi o "Livro Tibetano do Viver e Morrer", de Sogyal Riponche. Compartilho aqui, um trecho que se chama "O Ego no caminho espiritual". Vale a pena a leitura para quem está trilhando o caminho da luz.

"É para acabar com grotesca tirania do ego que nós seguimos o caminho espiritual, mas os recursos do ego são quase infinitos e a cada estágio ele pode sabotar e perverter nosso desejo de nos libertar dele. A verdade é simples, e os ensinamentos são extremamente claros; mas vi muitas e muitas vezes, com grande tristeza que tão logo eles começam a nos mobilizar, o ego tenta complicá-los porque sabe que está sendo ameaçado de maneira direta.
Quando estamos no início e ficamos fascinados com o caminho espiritual e suas possibilidades, o ego pode até nos encorajar, dizendo: Isso é realmente maravilhoso. É disso que você precisa! Esses ensinamentos fazem um grande sentido!"”
E aí, quando dizemos que queremos experimentar a prática da meditação, ou fazer um retiro, o ego cantarolará: Belíssima ideia! Vou com você. Podemos ambos aprender alguma coisa". Durante toda a lua de mel do nosso desenvolvimento espiritual, o ego ficará insistindo: "Isso é maravilhoso - é tão fantástico, tão inspirador".
Mas logo que entramos na fase do que eu chamo da fase de ARREGAÇAR AS MANGAS, fase do caminho espiritual em que os ensinamentos começam a tocar-nos profundamente, confrontamo-nos inevitavelmente com a verdade do nosso ser. À medida que o ego é revelado, seus pontos sensíveis tocados, todos os tipos de problema começam a surgir. É como se um espelho fosse colocado na nossa frente e não pudéssemos olhar em outra direção. O espelho é absolutamente claro, mas há nele um rosto feio e ameaçador, nosso próprio rosto, olhando fixamente para nós. Começamos a nos rebelar porque odiamos o que vemos;
Nesse momento começamos a sentir raiva e a nos queixar amargamente; e onde está nosso ego? Fielmente postado ao nosso lado, ele nos encoraja: "Tem toda razão, isso é ultrajante e intolerável. Não engula isso!" Enquanto ouvimos fascinados, o ego segue evocando toda sorte de dúvidas e emoções loucas, jogando lenha na fogueira: "Não vê que esse não é um ensinamento certo para você? Já lhe disse isso há muito tempo! Não vê que ele não é o seu mestre?"
À medida que o ego nos vê jubilosamente ficar mais e mais enredados em sua teia, chegará ao ponto de culpar o ensinamento e até mesmo o professor por toda dor, solidão e dificuldades pelas quais passamos ao nos conhecer: "Esses gurus não se importam nada com você e com o que está atravessando, e no fundo só só querem explorá-lo. Usam palavras como compaixão e devoção para pôr você sob seus poderes", diz o ego.
O ego é tão esperto que pode até distorcer os ensinamentos para atender seus propósitos; afinal, "o diabo pode citar escrituras para seus próprios fins". A ARMA FINAL DO EGO é apontar hipocritamente seu dedo para o professor e seus seguidores dizendo: "Ninguém por aqui parece estar vivendo os ensinamentos". Ele posa então como árbitro justo de toda conduta: a posição mais astuta de todas para sabotar sua fé e destruir qualquer tipo devoção e compromisso que você possa ter em relação a mudança espiritual.
Mas seja qual for a força que o ego tenta sabotar seu caminho espiritual, se você prosseguir nele e trabalhar profundamente com a prática da meditação, começará a perceber como tem sido enganado pelas promessas falsas do ego: falsas esperanças e falsos medos. Você começa a ver também como foi poderosa a influência do ego sobre sua mente, e nos espaço de liberdade aberto pela meditação - em que você está momentaneamente livre da avidez - você vislumbra a estimulante amplitude da sua verdadeira natureza."

“Grande e Gloriosa Prece para Renascer na Terra Pura de Amitabha”

Detalhe de uma thangka representando Sukhavati, a Terra Pura de Amitabha 
O sofrimento dos reinos inferiores é insuportável;
A felicidade e o êxtase dos deuses e humanos sempre se revelam impermanentes.
Possa minha mente temer isso.
Desde um tempo sem início até hoje
Tenho vagado tão extensamente no samsara,
Possa eu me cansar disso.
Mesmo se eu tiver nascimento humano após outro nascimento humano, de novo e de novo,
Ainda assim, os quatro grandes rios de sofrimento do nascimento, envelhecimento, doença e morte seriam vivenciados de maneira inconcebível.
Nesta época negativa de degeneração, há tantos obstáculos;
Essa felicidade e êxtase dos deuses e humanos
são como comida misturada com veneno,
Então possa eu não desejar nem mais um fio de cabelo disto.
Todos os parentes, comida, bens e companhias agradáveis
são impermanentes, como mágica ou sonhos.
Possa eu nunca ter apego por nem um fio de cabelo disso.
As terras, águas, prados, montanhas, casas e tudo mais
São como terras, prados e casas que aparecem nos sonhos.
Possa eu reconhecer que isso não tem realidade nenhuma.
Da inescapável armadilha deste oceano de existência,
Como um criminoso fugindo da prisão,
Possa eu escapar para a Terra Pura da Grande Bem-Aventurança
Sem jamais olhar para trás.
“Grande e Gloriosa Prece para Renascer na Terra Pura de Amitabha”
citado por Thinley Norbu Rinpoche (Tibete, 1931 ~)
“A Cascading Waterfall of Nectar”

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Sobre o caráter


As circunstâncias em que você vive determinam a sua reputação;
a verdade em que você acredita determina seu caráter.

A reputação é o que se supõe que você seja;
O caráter é o que você é.

A reputação é a fotografia;
O caráter é o rosto.

A reputação vem sobre você de fora;
O caráter cresce de dentro.

A reputação é o que você tem quando chega a uma comunidade nova;
O caráter é o que você tem quando vai embora.

A sua reputação é conhecida em uma hora;
o seu caráter não aparece em um ano.

A reputação é feita em um momento;
O caráter é construído em uma vida.

A reputação cresce como um cogumelo;
O caráter cresce como um carvalho.

Uma única notícia de jornal dá a sua reputação;
uma vida de trabalho dá o seu caráter.

A reputação fará você rico ou fará você pobre;
O caráter fará você feliz ou fará você miserável.

A reputação é o que os homens dizem de você junto à sua sepultura;
O caráter é o que os anjos dizem de você diante do trono de Deus.

(William Hersey Davis)

Creio, que como filhos de Deus e cristãos, precisamos nos atentar para construção de nosso caráter e não da reputação. Quando nos empenhamos em fortalecer e construir nosso caráter, nos aproximamos de Deus e da verdade. Contudo, quando nos empenhamos em apenas consolidar uma boa reputação, então, somos levados a uma vida de hipocrisia, onde não podemos ser quem realmente somos (com nossas fraquezas, erros e limitações), pois estamos sempre preocupados com a "imagem que devemos passar" e em agradar os demais. Assim, vamos nos afastando da verdadeira realidade e do nosso caminho para Deus, do nosso caminho de transcender a ilusão e o ego.

Precisamos nos empenhar nessa caminhada. O trabalho é contínuo e constante. 

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Escola Sem Partido


É um fato inegável que um dos maiores problemas no nosso país seja a doutrinação ideológica nas universidades e escolas. Eu mesma passei por isso quando cursava jornalismo. A maioria dos professores (tinha algumas excessões) entrava em sala de aula preparados para conquistar jovens adeptos, que ainda são imaturos e não possuem conhecimento suficiente para discernir o que é, de fato, realidade ou ilusão. Fazem lavagem cerebral mesmo e criam um exército para repetir os slogans famigerados da esquerda. Ao invés de criarem pensadores e verdadeiros estudiosos, criam militantes políticos. Eu mesma já acreditei nas falácias da esquerda por ter sido manipulada no início do curso, mas me livrei dessas mentiras através de leituras que nunca foram indicadas no ambiente acadêmico.

Apesar de eu ter consciência de que ainda preciso ler e aprender muito, poucos livros já foram capaz de me tirar do estado de dormência no qual me encontrava, então, cito aqui alguns que me ajudaram a enxergar além:

- O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota, de Olavo de Carvalho
- Esquerda Caviar, de Rodrigo Constantino
- Ensaio sobre a pobreza, de Alex de Tocqueville
- Política da Prudência, de Russel Kirk
- O livro negro do Comunismo, vários autores
- A Revolta de Atlas, de Ayn Rand

Agora comecei a leitura do "Jardim das Aflições", também de Olavo de Carvalho.

Tenho ainda uma fila enorme para compreender melhor os aspectos desta trama. Entre alguns autores que pretendo estudar estão: Aldous Huxley, Edmund Burke, Roger Scruton, Mário Ferreira dos Santos e G. K. Chesterton.

Em vista disso, percebo a importância do Projeto Escola Sem Partido, que é inteiramente dedicado ao problema da instrumentalização do ensino para fins políticos e ideológicos. Esta pauta foi criada para mostrar que esse problema não apenas existe, como está presente, de algum modo, em praticamente todas as instituições de ensino do país.
A grande maioria dos educadores e algumas autoridades, quando não estão promovendo doutrinações, fingem não ver o problema ou recusam-se em admiti-lo, seja por pura complacência ou covardia. 
Como diz na apresentação desta ideia, "numa sociedade livre, as escolas deveriam funcionar como centros de produção e difusão do conhecimento, abertos às mais diversas perspectivas de investigação e capazes, por isso, de refletir, com neutralidade e equilíbrio, os infinitos matizes da realidade".

Neste vídeo, Miguel Nagib, explica um pouco sobre o projeto.

Aqui, Olavo de Carvalho fala sobre a doutrinação nas escolas.

Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre este projeto, o site oficial é este aqui.

Que isso possa realmente se concretizar em nosso país, nós merecemos escolas sem partido onde não existam professores com pretensões ideológicas claramente hegemônicas.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

O uso da força da Vontade Dinâmica



A vontade é o instrumento da imagem de Deus dentro de você. Na vontade reside o poder ilimitado Dele, o poder que controla todas as forças da natureza. Como você foi feito à imagem Dele, esse poder é seu, para realizar o que quer que você deseje.

Quando decidir fazer coisas boas, você as realizará se empregar força de vontade dinâmica. Não importam quais sejam as circunstancias, se continuar tentando, Deus criará os meios pelos quais a sua vontade encontrará a recompensa apropriada. Essa é a verdade a que Jesus se referiu quando disse: Se tiverdes fé e não duvidardes... “Se a este monte disserdes: Ergue-te e precipita-te no mar, assim será feito”. Se você usar sua vontade todo o tempo, independentemente dos revezes, ela produzirá êxito, saúde, poder para ajudar outras pessoas e, acima de tudo, produzirá a comunhão com Deus.

Uma vez tendo dito: Eu quero”, não desista mais. Se afirmar: “Nunca mais apanharei um resfriado”e, na manhã seguinte, acordar com um terrível resfriado e perder o animo, estará permitindo que sua vontade continue fraca. Você não dever perder a coragem quando vê acontecer algo contrário ao que afirmou. Continue acreditando, com a certeza de que assim será. Se disser: “Vou fazer”, mas interiormente pensar: “Não posso”, neutralizará a força do pensamento e castrará sua vontade.

Se você deseja uma casa e a mente pensa: ”Seu simplório, você não tem condições de ter uma casa”, tem que fortalecer sua vontade. Quando o “não posso” desaparece de sua mente, poderes divinos vem a você. Uma casa não lhe cairá do céu; você tem de exercer ininterruptamente sua força de vontade mediante ações construtivas. Quando perseverar, recusando-se a aceitar o fracasso, o objeto de sua vontade terá de materializar-se. Quando exercer ininterruptamente essa vontade por meio de seus pensamentos e de suas atividades, aquilo que você desejar terá de acontecer. Mesmo que não haja no mundo nada que corresponda ao seu desejo, ao persistir, exercendo a sua vontade, o resultado almejado se manifestará de alguma forma.

O cérebro do homem está cheio de “não posso”. Tendo nascido numa família com certas características e hábitos, ele é influenciado por ela a pensar que não pode fazer certas coisas: não pode andar muito, não pode comer isso, não pode tolerar aquilo. Esses “não posso” precisam ser cauterizados. Você tem, em seu interior, o poder de realizar tudo o que quiser. Esse poder se acha na vontade.

Se você se agarra a certo pensamento com força de vontade dinâmica, ele finalmente assuma uma forma exterior, tangível.

Dotar um pensamento de força de vontade dinâmica significa aferrar-se a ele até que esse padrão de pensamento desenvolva força dinâmica. Quando um pensamento se torna dinâmico, por meio da força de vontade, ele pode manifestar-se de acordo com o desenho mental que você criou.

Como pode você desenvolver a vontade. Escolha algum objetivo que você acredite não poder realizar e procure, com toda a força, alcançá-lo. Quando obtiver êxito, passe a algo mais difícil, e continue exercitando desse modo sua força de vontade. Se a dificuldade for muito grande, ore profundamente: “Senhor, dá-me o poder de superar todas as minhas dificuldades”. Você tem de usar sua força de vontade, não importa o que você seja ou quem você seja. Você tem de decidir. Use esse poder da vontade tanto nos negócios quanto na meditação.

Se, depois de raciocinar calmamente, você decidir que o que se dispôs a fazer é certo, ninguém deveria poder ser capaz de impedi-lo. Se eu estivesse desempregado, sacudiria o mundo inteiro, até que dissessem: “Deem-lhe um emprego para que ele fique quieto”.

Se você se convenceu de que é um mortal desamparado e permite que os outros o convençam de que você não pode obter um emprego, então decretou, em sua própria mente que está acabado. Não é julgamento de Deus ou destino, mas, sim, sua própria sentença sobre você mesmo que o mantém pobre ou preocupado. Êxito ou fracasso são decididos em sua própria mente. Mesmo contra a opinião negativa do resto da sociedade, se você revela, por meio da vontade que tudo conquista, dada por Deus, a convicção de que não pode ser abandonado para sofrer em dificuldades, sentirá um secreto poder divino descendo sobre você, e verá que o magnetismo dessa convicção e desse poder está abrindo novos caminhos para você.

(Paramahansa Yogananda)

domingo, 29 de março de 2015

O pensamento conservador de Russel Kirk



O livro a Política da Prudência, de Russell Kirk, é uma ótima introdução ao conservadorismo político e cultural. Além de reunir 18 textos de conferências feitas por Kirk, entre 1986 e 1991, a obra trata de algumas ideias centrais do autor sobre a preservação dos princípios que T.S. Eliot (1888-1965) chamou de “coisas permanentes” e exibe a conclusão de sua carreira de quase meio século. Uma verdadeira obra de arte. Ao iniciar a leitura do livro, é possível sentir a grandeza deste ser. Um homem verdadeiramente entregue aos princípios do conservadorismo. Segundo Alex Catharino, autor do prefácio do livro, a grande erudição de Russell Kirk, impressionou diversos autores renomados com o já citado T.S. Eliot, Donald G. Davidson, Wilhelm Ropke, Eric Voegelin, Ray Bradbury e Flannery O'Connor, com os quais, inclusive, Kirk manteve contato e trocou correspondência. 

Há um excepcional brilhantismo intelectual em Russell Kirk. Foi um homem reconhecido largamente por seus inúmeros prêmios pelas obras acadêmicas e os doze doutorados honoris causa. O título de Doutor Honoris Causa é atribuído à personalidade que se tenha distinguido pelo saber ou pela atuação em prol das artes, das ciências, da filosofia, das letras ou do melhor entendimento entre os povos. Russel Kirk também recebeu uma grande honra de Ronal Regan, em 1989, sendo condecorado com a “Ordem de Mérito da Presidência por Eminentes Préstimos aos Estados Unidos”. Na ocasião ele afirmou: “Como profeta do conservadorismo norte-americano, Russel Kirk ensinou e inspirou uma geração. De sua sublime e elevada posição em Piety Hill, penetrou profundamente nas raízes dos valores norte-americanos, escrevendo e editando trabalhos centrais de filosofia política. Sua contribuição intelectual foi um profundo ato de patriotismo”.

Apesar de minha inépcia para compreender com precisão algumas linhas, principalmente relacionadas ao passado histórico (pois ainda preciso estudar muito), acredito que o primeiro contato com esta profunda obra, despertou algo adormecido dentro de mim - me deu uma luz. Como já disse uma vez, já tive uma mentalidade muito idiota. Por influência acadêmica, deixei-me levar pelas asneiras esquerdistas e até mesmo acreditei que a ilusão do comunismo/ socialismo seria possível. Em tempo, acordei. Depois de ler o livro “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”, de Olavo de Carvalho , Esquerda Caviar, de Rodrigo Constantino, Ensaio sobre a pobreza, de Alex de Tocqueville, entre outros livros, e vasculhar a internet lendo inúmeros artigos e assistindo incontáveis vídeos, comecei a me desintoxicar de tantas mentiras absorvidas ao longo dos anos. E ainda estou no processo de arrancar os venenos ocultos na minha mente. Preciso estudar, estudar e estudar. Bom, mas pelo menos tenho certeza que esquerdismo tem cura. Percebi que Nelson Rodrigues tinha razão ao dizer: “No Brasil, o marxismo adquiriu uma forma difusa, volatizada, atmosférica. É-se marxista sem estudar, sem pensar, sem ler, sem escrever, apenas respirando.” Por experiência própria, é claro. 

Formei-me em jornalismo com muita angústia, pois era obrigada a assistir aulas de sociologia e geopolítica que eram praticamente doutrinação marxista, mas como esse mundo exige o título, terminei o curso. Quando folheei as primeiras páginas da Política da Prudência meu olhos brilhavam e meu coração pulsava. Eu pensei: “Isso é a verdade”. Nunca decidi me tornar conservadora, mas ao ler este livro fica claro que sou conservadora. Então acho que muitas pessoas não sabem que são conservadoras e também precisam se descobrir como tal. Por isso, quero compartilhar alguns trechos deste maravilhoso livro. 

É interessante também ressaltar que o pensamento kirkeano foi além das muralhas petrificadas da política e abrangeu os campos da história, educação, filosofia, economia, direito, até mesmo o campo literário. Ele escreveu cerca de 3 mil artigos de opinião, 800 artigos acadêmicos, mais de 200 resenhas de livros, 68 prefácios, 23 livros e 3 romances. Foi o mais respeitado ícone do conservadorismo no Estados Unidos, contudo, não deixou-se sequer uma vez ser seduzido pelas facilidades das riquezas materiais, sempre preferindo cultivar sua vida intelectual plena. Dedicou-se à escrita, longe da anarquia da cidade e viveu tranquilo numa pequena comunidade, na Vila de Mecosta. Lá, além de escrever, também ajudou a preservar a beleza natural do lugar, plantando árvores para as próximas gerações.

"Russel Kirk viveu uma existência integrada, na qual os escritos e a atuação pública harmonizaram-se, numa concepção mística e sacramental da realidade, com a vida privada. Mais do que como intelectual público, o conservador Kirk dá testemunho de suas convicções pelo modo como desempenhou na própria vida os papéis de marido, pai de quatro meninas, amigo e orientador de vários jovens pesquisadores, o que torna o conhecimento na imaginação kirkeana inseparável da própria vida do autor.” (2013, pg. 22. CATHARINO, Alex. In: Política da Prudência.)

Antes de entramos no pensamento do autor, é preciso enfatizar o quanto nós ainda somos ignorantes em termos de bibliografia conservadora aqui no Brasil e o quanto este nome (conservadorismo) foi - e ainda vem sendo - deturpado pela história recontada pelos adeptos da revolução cultural gramsciana, principalmente pela mídia. Não é a toa que muita gente ainda tem preconceito com pessoas que se denominam conservadores, pois acham que estas são "representantes do mal”. Isso não é verdade. O conservadorismo é, na realidade, um sistema de pensamento muito coerente que valoriza a família, o amor, a tradição, a ordem, a harmonia, a clareza das regras e muita prudência nas mudanças, onde o passado é visto como um depósito de sabedoria. E que quando começamos a estudar, percebemos o quanto ainda precisamos aprender sobre o assunto. Como diz Russel Kirk: "Um conservador não é, por definição, um egoísta ou uma pessoa estúpida; em vez disso, ele é uma pessoa que acredita que há alguma coisa em nossa vida que vale a pena salvar." Conservadorismo, na verdade, é uma palavra com um significado antigo e honrado, mas que foi distorcido pela manipulação dos últimos anos.

Durante anos aprendemos a acreditar que é possível criar o céu na terra. "A crença no dogma democrático como garantia de maior igualdade social destruiu inúmeros padrões meritocrático e nivelou os indivíduos por baixo, em condições inferiores às potencialidades humanas, ampliando o controle estatal na sociedade, e criando, assim, não uma única classe de iguais, mas duas classes divididas por um abismo: a dos privilegiados burocratas governamentais e a da pacata multidão amorfa. O anseio por progresso material ilimitado, alimentado pelo espírito da ganância e da avareza, produziu um gigantesco sistema industrial desumanizante e massificante, controlado pela burocracia corporativa e pela regulamentação e tributação estatais, que reprimem o pleno desenvolvimento das livres forças empreendedoras." (KIRK, Russel. 2013, p. 43)

Para Kirk, o conservadorismo seria a própria negação da ideologia. Mas o que é ideologia para o autor? Em resumo, seria uma fórmula política que promete um paraíso terreno à humanidade. O ideólogo promete a salvação neste mundo, declarando, ardentemente, que não existe outro tipo de realidade. Eric Voegelin e Gerhart Niemeyer, explicaram que os ideólogos "imanentizam os símbolos da transcendência”, ou seja, corrompem a visão da graça que se pode alcançar após a morte, com falsas promessas de completa felicidade neste reino - conhecido como matrix. A ideologia cria alguns vícios, como por exemplo: colocar no lugar da salvação após a morte, a salvação coletiva na terra por meio de revolução intolerante e violenta. A visão do ideólogo também é limitada e os adeptos competem entre si a fidelidade à sua verdade absoluta, onde denunciam os desviantes e traidores da ortodoxia partidária. Isso nos lembra o Partido dos Trabalhadores, não é mesmo? Fazem guerra até entre eles mesmos. Mesmo causando ruína em toda parte, a ideologia ainda exerce fascínio na maior parte do mundo. O marxismo, por exemplo, é uma das ideologias mais poderosas do mundo, mas vem perdendo força nos últimos anos. Existem ainda outras ideologia como o feminismo, fascismo, nazismo, sindicalismo, anarquismo e outras mais.

A ideologia também é vista como o ópio de alguns intelectuais que não se sentem mais ligados à comunidade nem à religião, então, pedem às ideologias progressistas que tomem conta de sua alma. Kirk afirma o seguinte: “A ideologia oferece uma imitação de religião e uma filosofia fraudulenta, confortando, dessa forma, aqueles que perderam, ou que nunca tiveram, uma fé religiosa genuína e aqueles que não possuem inteligência suficiente para aprender filosofia de verdade”. A ideologia nega até mesmo a consciência e o poder de decisão dos seres humanos. Para Kirk, ideologia é uma doença, não a cura. Para ele o que precisa ser transmitido é a prudência política, não beligerância política. “A ideologia é a política da irracionalidade apaixonada”, diz Kirk.

Assim sendo, o conservadorismo para Kirk, assim como apresentado por Burke, ao contrário da ideologia, tenta preservar os princípios fundamentais apreendidos pela experiência histórica e que, orientada pela virtude da prudência, aceita, por reformas gradativas as mudanças culturais ou sociais inerentes à dinâmica histórica. Em termos teóricos, os três pilares da ordem na modernidade, segundo o autor, são pensamento de Edmund Burke, Samuel Johnson e Adam Smith, que apresentam a defesa das coisas permanentes nos campos da moral, letras, política e economia. Ser prudente significa ser judicioso, cauto e sagaz. Platão ensinou que no estadista, a prudência é uma das primeiras virtudes. O prudente tem consciência que a natureza humana é imperfeita e que a “justiça" agressiva na política acaba em massacre. O político prudente sabe que o propósito original do estado é manter a paz. O autor usa a palavra conservador como sinônimo de político prudente. Deste modo, é possível perceber que a mentalidade conservadora e a ideológica gravitam em pólos opostos.

Nas palavras de Kirk: "O conservadorismo é um importante conceito social para todo aquele que deseja justiça igualitária e liberdade pessoal e todos os amáveis caminhos antigos da humanidade. O conservadorismo não é simplesmente uma defesa do “capitalismo”. Para o autor, o propósito da vida do conservador é o amor, pois um "conservador esclarecido não acredita que o fim ou o propósito da vida seja a competição, o sucesso, o prazer, a longevidade, o poder ou as posses. Acredita, ou contrário, que o propósito da vida é justamente o amor. Sabe que a sociedade justa e ordenada é aquela em que o amor nos governa, tanto quanto o amor pode nos reger neste mundo de dores; e sabe que a sociedade anárquica ou tirânica é aquela em que o amor está corrompido.”

O pensamento conservador, parece ser o que mais respeita a complexidade e o caráter heterogêneo da experiência humana. Dentro do pensamento kirkeano, os homens vêm a este mundo para lutar, para sofrer, para combater o mal que está no próximo e neles mesmos, e para ansiar pelo triunfo do amor. Vêm ao mundo para viver como homens, e para morrer como homens. Buscam preservar a sociedade que permite aos homens atingir a própria humanidade, e não aquela que os mantêm presos aos laços da infância perpétua.

Ao defender uma visão ampla da sociedade e do conhecimento humano, Kirk, explicou por meio de dez princípios a essência do pensamento conservador. 

Leia aqui os dez princípios.

Além desses princípios, neste livro Kirk apresenta também o que ele considera os dez conservadores exemplares. São eles, em ordem decrescente de antiguidade:
  1. Primeiro - Marco Túlio Cícero (106-43 a.C).
  2. Segundo - O imperador estoico, Marco Aurélio (121- 180)
  3. Terceiro - Samuel Johnson (1709 - 1784)
  4. Quarto - Sir Walter Scott (1771 - 1832)
  5. Quinto - John Randolph de Roanoke (1773 - 1833)
  6. Sexto - Nathaniel Hawthorne (1804 - 1864)
  7. Sétimo - Theodore Roosevelt (1858 - 1919)
  8. Oitavo - Joseph Conrad (1857 - 1924)
  9. Nono - Richard M. Weaver (1910 - 1963)
  10. Décimo - Freya Stark (1893 - 1993)

Nos dias de hoje, o filósofo britânico Roger Scruton, é um dos conservadores ingleses da segunda metade do Séc. XX que mais se aproximam das concepções kirkeanas de conservadorismo.



E o que pensam os conservadores?


As posições conservadores mais proeminentes são a seguintes:
  • Estado laico não significa estado ateu
  • As drogas precisam continuar banidas
  • Os empreendedores são a força vital da economia 
  • Os pais devem ter o direito de educar seus filhos em casa
  • Cada pessoa é a única responsável pelo seu destino
  • O aborto, em qualquer fase da gestão, deve ser mantido como crime
  • O cidadão honesto deve ter o direito de portar armas
  • A família tradicional é a base de qualquer sociedade e seu desmantelamento provoca grandes efeitos danosos a sociedade
  • O Estado de Direito não pode ser submetido aos desejos de determinados grupos
  • As cotas raciais são um erro pois é uma grave lesão ao princípio constitucional da igualdade
  • Deve haver tolerância zero contra criminalidade


Então, como age um conservador no Brasil?



O conservador, como ensinou Russell Kirk, não pode ser um formulador de ideias abstratas e subjetivas, mas um prudente observador das realidades moral, cultural, política e econômica que o cerca, buscando eliminar, por reformas gradativas, os erros legados pelo passado, e preservando os aspectos positivos da tradição. Alex Catharino, afirma que a cultura brasileira está muito associada aos erros do patrimonialismo ibérico, do cientificismo herdado do pensamento positivista e do intervencionismo econômico defendido tanto por keynesianos quanto por marxistas, criando, assim, uma forma de religião civil do Estado que devemos buscar superar. No plano econômico o conservador deverá, na maioria dos casos, assumir a defesa do livre mercado feita pelos libertários. Todavia, temos que ser intransigentes na luta pela preservação de certos princípios inalienáveis, herdados de nossa tradição católica, dentre os quais se destacam o reconhecimento da religião como principal fundamento da moral e da cultura, a defesa da vida humana desde a concepção até a morte natural da pessoa, a importância das liberdades individuais como pré-condição da vida moral e principal motor do desenvolvimento social, bem como o respeito aos direitos de propriedade, tanto material quanto intelectual.


Russell Kirk estava sempre preocupado com a busca da verdade e, na defesa da tradição em movimento, demonstrou que o conservador não pode criar um futuro utópico. Assim, a política da prudência é pautada pela experiência acumulada ao longo da história. Por mais que nosso ego julgue ao contrário, a experiência da humanidade é mais sábia do que nós mesmos. Russell Kirk ensina o conservador a conhecer o próprio eu, restaurando a ordem interna da alma e, assim, colaborando para restauração da ordem externa da sociedade.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Yoga para todos



Há milênios beneficiando a humanidade, a Yoga é uma técnica antiquíssima nascida na Índia. A história da Yoga perde-se no tempo, contudo sabe-se que é uma filosofia que reúne a soma da evolução de várias épocas e hoje representa uma prática cada vez mais difundida em todo mundo. O termo Yoga vem do sânscrito "Yui" que significa unir, portanto representa união - do corpo, da mente e do espirito. Também expressa a união consigo mesmo, com todos os seres e com o absoluto.

A meta do yoga, segundo Paramahansa Yogananda, gurú indiando, autor do livro "Autobiografia de um Yogue", que saiu da Índia para viver nos Estados Unidos na década de 20 com a intenção de disseminar o autoconhecimento e imersão interior através da Yoga, é o desenvolvimento do potencial infinito da mente e da alma do ser humano. Yoga não se limita apenas a exercícios físico ou ássanas e posturas. Esta antiga ciência, segundo Yogananda, proporciona meios diretos para acalmar a turbulência natural dos pensamentos e a agitação do corpo, que é o que nos impede de saber quem realmente somos.

Em Joinville a procura por esta prática vem crescendo a cada dia. Hoje já existem mais de dez escolas de Yoga para quem quiser praticar com assiduidade. E para quem quiser apenas conhecer ou praticar com menos intensidade, o Parque Expoville se transformou num cenário a céu aberto para prática. Há um ano, todo sábado, às 16h, acontecem aulas gratuitas com instrutores voluntários de Yoga e já reúnem cerca de 60 pessoas por aula.

O Projeto “Yoga na Expoville” nasceu a partir da necessidade de incluir na rotina da cidade uma atividade que unisse a prática física à saúde e equilíbrio. A ação foi inspirada no “Projeto Yoga no Parque Barigui” (Curitiba-PR), que acontece todos os dias e reúne cerca de 200 pessoas por aula. O praticante, assim, terá um momento de voltar-se para si, limpar sua mente e encontrar a paz interior. É realmente transformador e permite que todo indivíduo tenha qualidade de vida. E aí, vamos praticar? Esperamos vocês!