A inveja também pode estar por trás dessa tendência. Se você não é capaz de produzir coisas bonitas, e morre de inveja daqueles que conseguem, que caminho é mais fácil para atacar e destruir o belo do que afirmar que não existe, que não podemos, de forma minimamente objetiva, distinguir a beleza da feiura? Mata-se a estética! Como diz Reinaldo Arenas, escritor e dissidente cubano, em Antes que anoiteça:
"A própria beleza é perigosa em si, conflituosa para toda ditadura, porque implica um âmbito que vai além dos limites em que essa ditadura submete os seres humanos; é um território que escapa ao controle da polícia política e onde, portanto, não pode reinar. Por isso mesmo, irrita todos os ditadores, que querem destruí-la de qualquer maneira. A beleza sob um sistema ditatorial é sempre dissidente, porque toda ditadura é por si mesma antiestética, grotesca; praticá-la representa, para o ditador e seus agentes, uma atitude escapista ou reacionária."
Isso vale para a ditadura velada do politicamente correto também. Em nome da “democratização” da cultura, a esquerda caviar sobe o morro e abraça o gueto, assumindo que tudo que vem desses lugares é ótimo.
Vejam como é lindo a menina de doze anos que rebola até o chão quase nua! Está apenas se expressando, e quem somos nós, pequeno-burgueses, para condenarmos isso? Seria puro moralismo e elitismo. Puro preconceito.
A perda de padrões universais objetivos, na busca árdua da beleza para atingir níveis artísticos mais elevados, fez com que qualquer porcaria fosse enaltecida como uma legítima “expressão subjetiva”. Os medíocres celebraram: qualquer coisa poderia, agora, ser vista como obra de arte.
{Rodrigo Constantino - A esquerda caviar}