“A verdade é para quem a procura sinceramente, não para quem tem apenas curiosidade ociosa. É fácil acreditar quando se vê: dispensa a busca e o esforço. Descobrem a verdade além dos sentidos os que a merecem por terem vencido o seu natural ceticismo materialista.”
Mahavatar Babají

terça-feira, 24 de novembro de 2015

O ego no caminho espiritual

Um dos livros maravilhosos que chegaram até mim através da escola Universo Místico foi o "Livro Tibetano do Viver e Morrer", de Sogyal Riponche. Compartilho aqui, um trecho que se chama "O Ego no caminho espiritual". Vale a pena a leitura para quem está trilhando o caminho da luz.

"É para acabar com grotesca tirania do ego que nós seguimos o caminho espiritual, mas os recursos do ego são quase infinitos e a cada estágio ele pode sabotar e perverter nosso desejo de nos libertar dele. A verdade é simples, e os ensinamentos são extremamente claros; mas vi muitas e muitas vezes, com grande tristeza que tão logo eles começam a nos mobilizar, o ego tenta complicá-los porque sabe que está sendo ameaçado de maneira direta.
Quando estamos no início e ficamos fascinados com o caminho espiritual e suas possibilidades, o ego pode até nos encorajar, dizendo: Isso é realmente maravilhoso. É disso que você precisa! Esses ensinamentos fazem um grande sentido!"”
E aí, quando dizemos que queremos experimentar a prática da meditação, ou fazer um retiro, o ego cantarolará: Belíssima ideia! Vou com você. Podemos ambos aprender alguma coisa". Durante toda a lua de mel do nosso desenvolvimento espiritual, o ego ficará insistindo: "Isso é maravilhoso - é tão fantástico, tão inspirador".
Mas logo que entramos na fase do que eu chamo da fase de ARREGAÇAR AS MANGAS, fase do caminho espiritual em que os ensinamentos começam a tocar-nos profundamente, confrontamo-nos inevitavelmente com a verdade do nosso ser. À medida que o ego é revelado, seus pontos sensíveis tocados, todos os tipos de problema começam a surgir. É como se um espelho fosse colocado na nossa frente e não pudéssemos olhar em outra direção. O espelho é absolutamente claro, mas há nele um rosto feio e ameaçador, nosso próprio rosto, olhando fixamente para nós. Começamos a nos rebelar porque odiamos o que vemos;
Nesse momento começamos a sentir raiva e a nos queixar amargamente; e onde está nosso ego? Fielmente postado ao nosso lado, ele nos encoraja: "Tem toda razão, isso é ultrajante e intolerável. Não engula isso!" Enquanto ouvimos fascinados, o ego segue evocando toda sorte de dúvidas e emoções loucas, jogando lenha na fogueira: "Não vê que esse não é um ensinamento certo para você? Já lhe disse isso há muito tempo! Não vê que ele não é o seu mestre?"
À medida que o ego nos vê jubilosamente ficar mais e mais enredados em sua teia, chegará ao ponto de culpar o ensinamento e até mesmo o professor por toda dor, solidão e dificuldades pelas quais passamos ao nos conhecer: "Esses gurus não se importam nada com você e com o que está atravessando, e no fundo só só querem explorá-lo. Usam palavras como compaixão e devoção para pôr você sob seus poderes", diz o ego.
O ego é tão esperto que pode até distorcer os ensinamentos para atender seus propósitos; afinal, "o diabo pode citar escrituras para seus próprios fins". A ARMA FINAL DO EGO é apontar hipocritamente seu dedo para o professor e seus seguidores dizendo: "Ninguém por aqui parece estar vivendo os ensinamentos". Ele posa então como árbitro justo de toda conduta: a posição mais astuta de todas para sabotar sua fé e destruir qualquer tipo devoção e compromisso que você possa ter em relação a mudança espiritual.
Mas seja qual for a força que o ego tenta sabotar seu caminho espiritual, se você prosseguir nele e trabalhar profundamente com a prática da meditação, começará a perceber como tem sido enganado pelas promessas falsas do ego: falsas esperanças e falsos medos. Você começa a ver também como foi poderosa a influência do ego sobre sua mente, e nos espaço de liberdade aberto pela meditação - em que você está momentaneamente livre da avidez - você vislumbra a estimulante amplitude da sua verdadeira natureza."

“Grande e Gloriosa Prece para Renascer na Terra Pura de Amitabha”

Detalhe de uma thangka representando Sukhavati, a Terra Pura de Amitabha 
O sofrimento dos reinos inferiores é insuportável;
A felicidade e o êxtase dos deuses e humanos sempre se revelam impermanentes.
Possa minha mente temer isso.
Desde um tempo sem início até hoje
Tenho vagado tão extensamente no samsara,
Possa eu me cansar disso.
Mesmo se eu tiver nascimento humano após outro nascimento humano, de novo e de novo,
Ainda assim, os quatro grandes rios de sofrimento do nascimento, envelhecimento, doença e morte seriam vivenciados de maneira inconcebível.
Nesta época negativa de degeneração, há tantos obstáculos;
Essa felicidade e êxtase dos deuses e humanos
são como comida misturada com veneno,
Então possa eu não desejar nem mais um fio de cabelo disto.
Todos os parentes, comida, bens e companhias agradáveis
são impermanentes, como mágica ou sonhos.
Possa eu nunca ter apego por nem um fio de cabelo disso.
As terras, águas, prados, montanhas, casas e tudo mais
São como terras, prados e casas que aparecem nos sonhos.
Possa eu reconhecer que isso não tem realidade nenhuma.
Da inescapável armadilha deste oceano de existência,
Como um criminoso fugindo da prisão,
Possa eu escapar para a Terra Pura da Grande Bem-Aventurança
Sem jamais olhar para trás.
“Grande e Gloriosa Prece para Renascer na Terra Pura de Amitabha”
citado por Thinley Norbu Rinpoche (Tibete, 1931 ~)
“A Cascading Waterfall of Nectar”