“A verdade é para quem a procura sinceramente, não para quem tem apenas curiosidade ociosa. É fácil acreditar quando se vê: dispensa a busca e o esforço. Descobrem a verdade além dos sentidos os que a merecem por terem vencido o seu natural ceticismo materialista.”
Mahavatar Babají

sábado, 18 de dezembro de 2010

Agora falando sério (Chico Buarque/1969)


Agora falando sério 
Eu queria não cantar 
A cantiga bonita 
Que se acredita 
Que o mal espanta 
Dou um chute no lirismo 
Um pega no cachorro 
E um tiro no sabiá 
Dou um fora no violino 
Faço a mala e corro 
Pra não ver banda passar 

Agora falando sério 
Eu queria não mentir 
Não queria enganar 
Driblar, iludir 
Tanto desencanto 
E você que está me ouvindo 
Quer saber o que está havendo 
Com as flores do meu quintal ? 
O amor-perfeito, traindo 
A sempre-viva, morrendo 
E a rosa, cheirando mal 

Agora falando sério 
Preferia não falar 
Nada que distraísse 
O sono difícil 
Como acalanto 
Eu quero fazer silêncio 
Um silêncio tão doente 
Do vizinho reclamar 
E chamar polícia e médico 
E o síndico do meu tédio 
Pedindo para eu cantar 

Agora falando sério 
Eu queria não cantar 
Falando sério 

Agora falando sério 
Eu queria não falar 
Falando sério

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Tudo Muda


Eu no Farol de Santa Marta - SC
Só quem já esteve
No limite da insanidade
Poderá falsamente afirmar
Que não há felicidade

Equilibrando-se entrelinhas
Do lado louco de lá
Ninguém sabe, ninguém adivinha
Muita coisa que ainda virá

Eu não tenho ninguém
Sou viu, reles, como tanta gente
Quem diz que busca é porque não os tem
Quem diz que tem é como eu, mas mente
Afinal, ninguém é de ninguém.

Com a imaginação, eu amo o bem,
Porque isso me faz subir
Faz meu coração ir além
E não me deixa cair

Vejo grotescamente parasita
De olhos fechados
Que anda, anda e mal transita
Não enxerga do que está rodeado
Tem gente que ama o mundo
E não sabe aonde quer chegar
Tentando sair do fundo
O sucesso tentar achar

Só pode ser um almirante louco
Que perdeu o rumo na noitada
E relembra pouco a pouco
Como foi a noite imaculada

Vácuos indivisíveis
A mente em movimento
Às vezes intransigiveis
E assim vivendo só o momento

Quando achas que tudo está perdido
Olhe para frente
O passado não pode ser esquecido
Mas o futuro pode ser diferente

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Felicidade e razão não se explica!


Tente dizer o que sente
Não vai ser o suficiente
Gaste rimas e palavras à toa
Falando o que diria, qualquer pessoa

Palavras, não dariam vazão
Não dão conta da sensação
Não, no que toca fundo
Em qualquer idioma do mundo

Soletrando-se felicidade
Eloquente de verdade
Escutamos diferente
Num to de saciedade 

Um atacante de amarelo
Um gol no momento de glória
Um carro e uma bandeira verde amarelo
O mais emocionante tema da vitória

Dar o último primeiro beijo
Num momento perfeito
Ouvir “eu te amo” com desejo
Dizer no casamento: “eu aceito”

Passar no concurso
Tirar dez com louvor
Homenageado em discurso
Encontrar o verdadeiro amor

“Senti sua falta”
“Não vivo sem você”
“Só você me importa”
“Vamos ter um bebê!”

“Foi só um susto,
ele vai ficar bem”
“Isso não é justo,
quero ir também”

“Papai eu ganhei!”
“Ele puxou à você”
“Foi como sempre sonhei,
nasceu para vencer!!!”

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Vai com Deus tia

O vento frio, a chuva e uma paisagem cinza anunciaram nesta madrugada a morte de minha tia Eva. Evanir seu nome completo, mas seu apelido, significava vida (nome Eva deriva do hebraico hav.váh, que significa "vivente"). Uma ironia ela ter vivido tanto e morrido sem ao menos nos preparar. Meu estômago se contraiu em desespero e eu apenas chorei. Mas ela deixou o significado da sua presença até nos seus últimos dias. Enquanto ela nos dá adeus, sua neta Larissa, nos enche os olhos de alegria ao nascer. Sua filha Maiane e sua prima, alguns dias antes deu à luz a uma linda menina. Pena ela ter visto apenas uma vez na vida, mas com certeza sacramentou e deixou na pequena Larissa  seu olhar vibrante e significativo.
As lágrimas escorrendo nos rostos dos meus familiares fizeram-me lembrar que eu também vou morrer e que, sim, a vida é só uma passagem... E por que eu ainda continuo com medo? Deitei-me na cama e dormi agarrada em minha irmã Fernanda a noite inteira, sem ao menos me mexer. Ela  (minha irmã) estava inquieta. Suas bochechas ruborizavam a todo o momento e novamente os olhos lacrimejavam. Mas eu não tenho o poder de trazer os mortos de volta, então a única coisa que pude dizer foi: “Não adianta chorar, apenas rezar.”  E adivinhem? Meu sonho foi tão intenso que achei que tinha falado com mortos, inclusive meu pai Rudiberto que faleceu há 21 anos.
Acordo absorta ruminando lembranças sem parar. Pra onde ela foi? Será que está numa colônia como disse o “espírito André Luis” no filme Nosso Lar? Não tenho como saber e isso me deixa completamente angustiada. Minha tamanha ousadia permitiu dizer e afirmar à minha irmã, que com certeza ela estará num lugar bom. Aiiii! Eu espero mesmo!  
Profetizando e questionando, continuo aqui, sem nada poder fazer.  Mas acredito que a morte nada mais é que o encerramento de uma vida para o início de outra; plena, verdadeira e eterna! Então, vai com DEUS tia!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Sejam coloridos

Ser colorido é a forma de demostrar leveza, amor e inteligência. Existem pessoas que mesmo vendo o arco íris acreditam que o mundo seja demasiado cinza. Como isso? ATITUDE é a palavra certa pra responder isso. Afinal de contas são nossos atos que vão determinar que nossa vida seja multicolorida ou acizentada.

Cada um tem um mundo lindo e inexplorável dentro de si. 




quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Bombardeados pelo transe

TRANSE

Bombardeados a todo instante
Tempestade assedio incessante
Sorvedor da preciosa privacidade
Informação além da capacidade

Cruel rotina dos zumbis presentes
Fecha a cortina dos desejos latentes
Olhos satisfeitos na saudade que os acompanha
Trabalhando como meio de chegar ao fim – de semana

Silêncio dos passos solitários
Uma orquestra de zumbis solidários
Tema da nostalgia, tocado das dez às seis
Pena daquele que não ouve seu mp3

É preciso coragem ou indiferença
Para encarar centenas de olhos vazios
Escutar os suspiros de abstinência
Nosso consciente coletivo lotado de carência

Do cotidiano em transe, o momento é deserto
Óculos escuros disfarçam a realidade
E o som feliz nos decora a evasiva imaginação

Do ritmo circadiano, só há envelhecimento certo
Pensamentos impuros lotam nossa vaidade
Diante do nariz, o caos da solidária destruição

Esquecer é uma ferramenta
Apaga a mágoa
Que a dor aumenta

Almejar é combustível
Queimado a todo instante
Para tornar, esquecível, o “inesquecível”

O romântico nato não tem opção
Seu idealismo é sobrevivência
Esquece rios de passado com oceanos de ilusão

Faz da poesia um diário de emoção
Seu otimismo sem interferência
Do mundano ceticismo, imunizando quem fala com o coração

Eu seria este homem

Simplesmente viva

Praia da Gaivota

Já aprendi a amar um bandido
Transformei- o em marido
Pra no final, nem sermos amigos

Já aprendi a odiar um amigo
E o mocinho virou bandido
E roubou minha paixão

Mas não aprendo
A esperar tanto tempo
E lotar o passado com erros em vão

Não entendo esse meu sentimento
Novamente curado e querendo emoção

Mas o importante é curtir o presente
Esquecer o passado
E fazer do futuro a continuação

A hora certa é improvável
Curioso querer, ambicioso conhecer
E sem mais, desperta o insuportável
Sem ao menos perceber

Faço da poesia um diário de emoção
Tenho otimismo sem interferência
Do mundano ceticismo, imunizando os solteiros da paixão

Elas também me atraem
Mas nenhuma tocou fundo
Loucura e bebedeira
Será que foi besteira?

Provocou o meu tormento
Por ter outra opção
Chegou no meu pensamento
Um vulcão em erupção

E assim vamos vivendo
Como se fosse de outro mundo
Algumas vezes amanhecendo
Encantando todo mundo