O vento frio, a chuva e uma paisagem cinza anunciaram nesta madrugada a morte de minha tia Eva. Evanir seu nome completo, mas seu apelido, significava vida (nome Eva deriva do hebraico hav.váh, que significa "vivente"). Uma ironia ela ter vivido tanto e morrido sem ao menos nos preparar. Meu estômago se contraiu em desespero e eu apenas chorei. Mas ela deixou o significado da sua presença até nos seus últimos dias. Enquanto ela nos dá adeus, sua neta Larissa, nos enche os olhos de alegria ao nascer. Sua filha Maiane e sua prima, alguns dias antes deu à luz a uma linda menina. Pena ela ter visto apenas uma vez na vida, mas com certeza sacramentou e deixou na pequena Larissa seu olhar vibrante e significativo.
As lágrimas escorrendo nos rostos dos meus familiares fizeram-me lembrar que eu também vou morrer e que, sim, a vida é só uma passagem... E por que eu ainda continuo com medo? Deitei-me na cama e dormi agarrada em minha irmã Fernanda a noite inteira, sem ao menos me mexer. Ela (minha irmã) estava inquieta. Suas bochechas ruborizavam a todo o momento e novamente os olhos lacrimejavam. Mas eu não tenho o poder de trazer os mortos de volta, então a única coisa que pude dizer foi: “Não adianta chorar, apenas rezar.” E adivinhem? Meu sonho foi tão intenso que achei que tinha falado com mortos, inclusive meu pai Rudiberto que faleceu há 21 anos.
Acordo absorta ruminando lembranças sem parar. Pra onde ela foi? Será que está numa colônia como disse o “espírito André Luis” no filme Nosso Lar? Não tenho como saber e isso me deixa completamente angustiada. Minha tamanha ousadia permitiu dizer e afirmar à minha irmã, que com certeza ela estará num lugar bom. Aiiii! Eu espero mesmo!
Profetizando e questionando, continuo aqui, sem nada poder fazer. Mas acredito que a morte nada mais é que o encerramento de uma vida para o início de outra; plena, verdadeira e eterna! Então, vai com DEUS tia!
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