"As amizades, por vezes, são portadoras de germes de morte. Não vos deixeis entusiasmar por certas seduções que não passam de ilusões."
(Louis Riboulet, Rumo à Cultura)
"Ao longo da vida, você tem de escolher as suas companhias. O Dr. Leopold Szondi dizia que a escolha faz o destino. [...] Veja, quando Santo Tomás de Aquino diz que a amizade consiste em querer as mesmas coisas e rejeitar as mesmas coisas, ele está falando evidentemente numa unidade de propósito, unidade da meta da vida. Ora, qualquer pessoa cuja meta na vida seja de ordem exclusivamente material, econômica ou social, não serve para vocês, e vocês devem sumariamente se afastar dessas pessoas. Por quê? Existe uma série de coisas na vida que, embora sejam necessárias para nós, pelo simples fato de serem necessárias, elas não podem ser metas. Por exemplo, você precisa de uma casa, você precisa comer e beber, você precisa descansar, você precisa casar e ter filhos, você precisa de um emprego. Tudo isto são coisas necessárias à subsistência. Ora, aquilo que é necessário à subsistência não pode ser, ao mesmo tempo, o objetivo da existência. O objetivo tem de estar muito acima de tudo isto. E todas estas coisas – esses outros elementos – vêm a nós como coisas que ora nos ajudam, ora nos atrapalham; mas, a partir do momento que o indivíduo as colocou como meta da existência, ele já cortou toda ligação que possa ter e haver entre ele e o sentido da existência. [...] O homem é o animal criado para descobrir o que está além dele, o que está além do mundo sensível e para ele realizar o seu destino nesta esfera. [...]Então, não hesitem em selecionar os seus amigos, porque se não, estas pessoas que só tem interesses realmente mundanos, vão só atrapalhar a sua vida, vão viver fazendo chantagem: “Ah você não gosta mais de nós”, você tem de falar “Não gosto mesmo. E daí? Se quiser gostar de mim você que trate de melhorar, ocupe o posto de dignidade intelectual e espiritual que lhe foi dado pelo próprio Deus, não despreze o que é superior a você e você não será desprezado também”. Isto é um elemento que falta muito na cultura brasileira." (Olavo de Carvalho)
Quem quer mudar, evoluir e crescer espiritualmente, inevitavelmente percorre este caminho. Realmente, muitos dos que "parecem" ser amigos, na verdade não o são. Muito pelo contrário, são más influências - talvez inconscientemente, mas são. Atrapalham sua jornada. É preciso escolher muito bem. O amor continua sendo incondicional, mesmo com aqueles que priorizam a matéria, a vida social ou o dinheiro... No entanto, é uma questão de escolha, de afinidade e propósito de vida, como diz o texto. Isso não é mais minha meta de vida. Está acima disso. Então, me aproximo de quem está na mesma busca, aceitando que cada um tem o seu momento, sem julgar ou discriminar os que não escolheram o mesmo caminho. Apenas fazendo minhas escolhas, me afastando de quem devo e me aproximando de quem soma e me ajuda a crescer de verdade.

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