Um dos livros maravilhosos que chegaram até mim através da escola Universo Místico foi o "Livro Tibetano do Viver e Morrer", de Sogyal Riponche. Compartilho aqui, um trecho que se chama "O Ego no caminho espiritual". Vale a pena a leitura para quem está trilhando o caminho da luz.
"É para acabar com grotesca tirania do ego que nós seguimos o caminho espiritual, mas os recursos do ego são quase infinitos e a cada estágio ele pode sabotar e perverter nosso desejo de nos libertar dele. A verdade é simples, e os ensinamentos são extremamente claros; mas vi muitas e muitas vezes, com grande tristeza que tão logo eles começam a nos mobilizar, o ego tenta complicá-los porque sabe que está sendo ameaçado de maneira direta.
Quando estamos no início e ficamos fascinados com o caminho espiritual e suas possibilidades, o ego pode até nos encorajar, dizendo: Isso é realmente maravilhoso. É disso que você precisa! Esses ensinamentos fazem um grande sentido!"”
E aí, quando dizemos que queremos experimentar a prática da meditação, ou fazer um retiro, o ego cantarolará: Belíssima ideia! Vou com você. Podemos ambos aprender alguma coisa". Durante toda a lua de mel do nosso desenvolvimento espiritual, o ego ficará insistindo: "Isso é maravilhoso - é tão fantástico, tão inspirador".
Mas logo que entramos na fase do que eu chamo da fase de ARREGAÇAR AS MANGAS, fase do caminho espiritual em que os ensinamentos começam a tocar-nos profundamente, confrontamo-nos inevitavelmente com a verdade do nosso ser. À medida que o ego é revelado, seus pontos sensíveis tocados, todos os tipos de problema começam a surgir. É como se um espelho fosse colocado na nossa frente e não pudéssemos olhar em outra direção. O espelho é absolutamente claro, mas há nele um rosto feio e ameaçador, nosso próprio rosto, olhando fixamente para nós. Começamos a nos rebelar porque odiamos o que vemos;
Nesse momento começamos a sentir raiva e a nos queixar amargamente; e onde está nosso ego? Fielmente postado ao nosso lado, ele nos encoraja: "Tem toda razão, isso é ultrajante e intolerável. Não engula isso!" Enquanto ouvimos fascinados, o ego segue evocando toda sorte de dúvidas e emoções loucas, jogando lenha na fogueira: "Não vê que esse não é um ensinamento certo para você? Já lhe disse isso há muito tempo! Não vê que ele não é o seu mestre?"
À medida que o ego nos vê jubilosamente ficar mais e mais enredados em sua teia, chegará ao ponto de culpar o ensinamento e até mesmo o professor por toda dor, solidão e dificuldades pelas quais passamos ao nos conhecer: "Esses gurus não se importam nada com você e com o que está atravessando, e no fundo só só querem explorá-lo. Usam palavras como compaixão e devoção para pôr você sob seus poderes", diz o ego.
O ego é tão esperto que pode até distorcer os ensinamentos para atender seus propósitos; afinal, "o diabo pode citar escrituras para seus próprios fins". A ARMA FINAL DO EGO é apontar hipocritamente seu dedo para o professor e seus seguidores dizendo: "Ninguém por aqui parece estar vivendo os ensinamentos". Ele posa então como árbitro justo de toda conduta: a posição mais astuta de todas para sabotar sua fé e destruir qualquer tipo devoção e compromisso que você possa ter em relação a mudança espiritual.
Mas seja qual for a força que o ego tenta sabotar seu caminho espiritual, se você prosseguir nele e trabalhar profundamente com a prática da meditação, começará a perceber como tem sido enganado pelas promessas falsas do ego: falsas esperanças e falsos medos. Você começa a ver também como foi poderosa a influência do ego sobre sua mente, e nos espaço de liberdade aberto pela meditação - em que você está momentaneamente livre da avidez - você vislumbra a estimulante amplitude da sua verdadeira natureza."
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